Debate promovido pelo Coletivo ELAS reuniu autoridades e especialistas para discutir o papel masculino na prevenção da violência contra mulheres, diante de dados alarmantes registrados no estado.
A necessidade de envolver homens no enfrentamento à violência de gênero foi o centro das discussões na segunda-feira (6), durante a 2ª edição do projeto “Eles por Elas”, realizada no Amapá. A iniciativa, promovida pelo Coletivo ELAS em parceria com o Governo do Estado, buscou incentivar uma mudança de postura masculina — de espectador para agente ativo na construção de uma sociedade mais igualitária.
Durante o encontro, o governador Clécio Luís destacou a gravidade do cenário atual e chamou atenção para o aumento dos casos de feminicídio no estado. Segundo ele, somente nos três primeiros meses do ano foram registradas sete mortes de mulheres por esse tipo de crime.

“O enfrentamento à violência contra a mulher exige o envolvimento de toda a sociedade. Precisamos falar sobre isso em todos os espaços — nas igrejas, nas instituições, nas forças de segurança. Temas como masculinidade ética, paternidade e antirracismo estão interligados e fazem parte de uma mudança estrutural necessária”, afirmou o governador.
Idealizado pela primeira-dama Priscilla Flores, o projeto “Eles por Elas” tem como foco a promoção de masculinidades positivas e a desconstrução de padrões culturais que sustentam a violência contra mulheres e meninas.
“Não cabe apenas às mulheres a responsabilidade de enfrentar essa violência. É uma luta coletiva, que precisa da participação ativa dos homens. Esse é um chamado para que eles se somem a nós”, ressaltou Priscilla.
A programação contou ainda com a participação do palestrante internacional Luciano Ramos, consultor do Instituto Mapear e embaixador da UNESCO. Ele conduziu a palestra “Como tornar meninos e homens aliados para a prevenção das violências contra meninas e mulheres”.
Ramos destacou que a transformação começa desde a infância. “É responsabilidade do Estado, das famílias e da sociedade cuidar das crianças e, principalmente, educar meninos para que se tornem homens que respeitam as mulheres. Trabalhar a masculinidade positiva é fundamental para reduzir a violência”, explicou.
O evento reuniu gestores das áreas de Segurança Pública, Educação, Saúde e Assistência Social, que acompanharam as discussões com o objetivo de fortalecer políticas públicas integradas.
Nos últimos três anos, o Governo do Amapá tem ampliado ações voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher. Entre as iniciativas está a inauguração da Casa da Mulher Brasileira, que centraliza serviços de acolhimento e apoio às vítimas.
Outras medidas incluem o acompanhamento de medidas protetivas pela Patrulha Maria da Penha, atendimento especializado via 190 com o Box Lilás e espaços dedicados nos batalhões de polícia, como as Salas Lilás.
Programas como a campanha “Amapá Por Todas Elas”, o projeto Afro Mulher — voltado à qualificação de mulheres quilombolas — e o Qualifica Amapá também integram a estratégia de enfrentamento, com foco na educação, autonomia econômica e prevenção.
A primeira edição do “Eles por Elas” ocorreu em agosto de 2025 e, desde então, a iniciativa tem reforçado a importância de uma mudança cultural ampla, na qual os homens assumam papel protagonista na defesa dos direitos das mulheres e na construção de uma sociedade mais justa e segura.