A sessão da Câmara Municipal de Macapá, realizada na última quinta-feira (26), foi marcada por tensão, embate político e acusações de desrespeito após o vereador Ezequias Silva, mandar um professor “calar a boca” durante a votação do projeto que garantiu reajuste salarial de 15% aos docentes da rede municipal da capital. Ezequias é apoiar do deputado estadual R.Nelson (Podemos), base aliada e defensor na Câmara do ex-prefeito Furlan, investigado pela Polícia Federal e afastado do cargo pelo STF na segunda fase da Operação Paroxismo, que investiga um suposto esquema criminoso de desvio de dinheiro da construção do hospital público municipal de Macapá.
O episódio ocorreu durante a discussão do Projeto de Lei encaminhado pelo prefeito Pedro Da Lua, que previa a recomposição salarial da categoria. A proposta, considerada uma das mais aguardadas pelos educadores, foi aprovada após forte mobilização de professores que lotaram o plenário.
Em meio ao debate acalorado, o vereador Ezequias Silva (PSD), que já vinha sendo criticado por sua postura em pautas relacionadas ao funcionalismo público, protagonizou um dos momentos mais tensos da sessão. Visivelmente irritado com o cenário desfavorável à sua posição, o parlamentar interrompeu a manifestação de um educador e disparou: “cale a boca”.
A declaração foi direcionada ao professor Charles Simeão, integrante da executiva estadual do Sinsepeap, que havia solicitado respeito aos profissionais presentes.
A atitude gerou reação imediata no plenário, intensificando o clima de tensão entre parlamentares, professores e lideranças sindicais. Para representantes da categoria, a fala foi interpretada como uma tentativa de silenciar a manifestação legítima dos trabalhadores da educação, que há anos reivindicam melhores condições salariais.
Servidor público como bombeiro militar do Estado e aliado político do deputado R. Nelson Vieira, Ezequias também já havia votado contra propostas anteriores voltadas ao fortalecimento do serviço público, como o projeto que tratava da carreira dos procuradores municipais e da abertura de novos concursos.
Apesar do episódio, o projeto foi aprovado, garantindo o reajuste de 15% aos professores da rede municipal. A medida foi celebrada pelos educadores como uma conquista histórica, resultado de mobilização e pressão da categoria dentro e fora do Legislativo municipal.
O caso repercutiu entre lideranças políticas e representantes da educação, reacendendo o debate sobre respeito institucional, valorização dos servidores e o papel dos parlamentares diante das demandas da população.