Notas fiscais apontam quase R$ 600 mil pagos pela Prefeitura de Macapá para estrutura acusada de espalhar fake News durante a gestão do ex-prefeito Furlan

Duas notas fiscais eletrônicas emitidas pela empresa M2 Comunicação Ltda. revelam pagamentos que somam R$ 596.857,84 realizados pela Prefeitura de Macapá para serviços vinculados à campanha institucional “PMM: O Futuro é Agora”, mas que, segundo denúncias apresentadas nesta terça-feira (10), teriam sido utilizados para financiar uma estrutura digital voltada à disseminação de fake news e ataques contra jornalistas e adversários políticos do ex-prefeito Dr. Furlan.

Os documentos fiscais foram divulgados pelo prefeito interino Pedro Dalua durante coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira (10), no salão de reuniões da Prefeitura de Macapá. Segundo ele, as notas revelam a existência de um esquema que teria sido usado para financiar o chamado “Gabinete do Ódio de Furlan”, uma rede digital voltada à produção e disseminação de conteúdo contra críticos da gestão municipal.

De acordo com as notas fiscais eletrônicas de serviço (NFS-e), emitidas no sistema da Secretaria Municipal de Finanças (SEMFI), os pagamentos foram realizados em favor da empresa M2 Comunicação Ltda., apontada como prestadora de serviços, tendo como tomadora a própria administração municipal.

A primeira nota, NFS-e nº 1190, foi emitida às 08h57 do dia 3 de março de 2026 e registra R$ 422.286,48 em serviços prestados. Após retenções tributárias, o valor líquido ficou em R$ 414.009,67, incluindo IRRF de R$ 4.053,95 e ISS retido de R$ 4.222,86.

Veja abaixo a nota e os nomes:

Já a segunda nota, NFS-e nº 1191, foi gerada poucos minutos depois, às 09h03 do mesmo dia, no valor de R$ 174.571,36, com valor líquido de R$ 171.149,75, após deduções de IRRF de R$ 1.675,88 e ISS de R$ 1.745,71.

Veja abaixo a nota e os nomes:

Somadas, as duas notas fiscais chegam ao total de R$ 596.857,84 em serviços contratados.

Segundo a descrição dos documentos, os pagamentos estão vinculados ao Contrato nº 01/2026 – SMCS/PMM, com ordem de serviço O.S. 02/2026 – 01, destinada à execução da campanha institucional da prefeitura intitulada “PMM: O Futuro é Agora”.

Entretanto, conforme as denúncias apresentadas na coletiva, parte desses recursos teria sido direcionada para uma rede de páginas, sites e perfis digitais que atuariam como produtores de conteúdo e veículos de comunicação, responsáveis pela divulgação de material considerado ofensivo ou desinformativo contra adversários políticos e jornalistas.

Entre os alvos frequentes dessas publicações, segundo as denúncias, estariam o governador do Amapá, Clécio Luís, os senadores Davi Alcolumbre e Randolfe Rodrigues, além de jornalistas como Seles Nafes e Heverson Castro.

De acordo com as informações apresentadas, o chamado “Gabinete do Ódio” teria sido estruturado para monitorar críticas à gestão municipal e reagir por meio de conteúdos nas redes sociais e em páginas digitais, atacando opositores políticos, profissionais da imprensa e qualquer pessoa que se manifestasse de forma crítica ao governo do então prefeito.

Outro ponto levantado durante a coletiva foi a rapidez na emissão das notas fiscais no sistema municipal. Os documentos teriam sido processados em menos de 24 horas, tempo considerado incomum para procedimentos desse tipo.

Os registros constam no sistema eletrônico de Notas Fiscais de Serviço da Prefeitura de Macapá e podem ser verificados por meio do portal de validação da NFS-e municipal.

A prefeitura informou que os documentos serão encaminhados aos órgãos de controle e investigação para análise. Até o momento, não houve manifestação pública da empresa citada ou do ex-prefeito sobre as acusações apresentadas.

Compartilhe:

Foto de Iran Froes

Iran Froes

Com olhar atento aos fatos que impactam o dia a dia da população, levamos informação clara, ágil e responsável sobre política, segurança, cidades, denúncias, direitos do cidadão e os principais acontecimentos do estado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *