O prefeito interino de Macapá, Pedro DaLua (União Brasil), apresentou nesta quarta-feira (11) à Polícia Federal os resultados preliminares das apurações conduzidas pela atual gestão sobre possíveis irregularidades administrativas na Prefeitura de Macapá. As investigações iniciais apontam pagamentos considerados atípicos, perícias em contratos públicos e repasses a comunicadores que teriam atuado em um suposto “Gabinete do Ódio” promovendo ataques contra opositores do ex-prefeito Antônio Furlan (PSD).
A reunião ocorreu na sede da Polícia Federal no Amapá e contou com a participação do superintendente Milton Rodrigues Neves, além de integrantes do Gabinete de Emergência Administrativa e Financeira, grupo criado pela nova gestão municipal para revisar contratos, pagamentos e atos administrativos da administração anterior.
As apurações começaram após o afastamento do ex-prefeito Antônio Furlan e do vice-prefeito Mário Neto, investigados no âmbito da Operação Paroxismo, deflagrada pela Polícia Federal.
Durante o encontro, Pedro DaLua apresentou medidas já adotadas pela prefeitura, entre elas a realização de perícias técnicas em documentos e contratos, além da abertura de processos administrativos para investigar possíveis pagamentos efetuados mesmo após o afastamento das autoridades investigadas.
Segundo a administração municipal, o objetivo das análises é identificar eventuais irregularidades administrativas e encaminhar aos órgãos de controle qualquer indício de ilícito identificado.
Repasse a comunicadores entra na mira
Um dos pontos considerados mais sensíveis nas apurações envolve pagamentos a comunicadores que, segundo a nova gestão, poderiam integrar uma chamada “milícia digital”.
Durante coletiva realizada na terça-feira (10), Pedro DaLua afirmou que foi identificado um pagamento considerado atípico na área da comunicação no próprio dia 4 de março — data em que a Polícia Federal realizou a operação que afastou o ex-prefeito Antônio Furlan, o vice-prefeito Mário Neto e o então secretário municipal de Finanças.
De acordo com o prefeito em exercício, a agência de publicidade M2 teria realizado cerca de meio milhão de reais em repasses a agenciados e prestadores de serviços ligados à comunicação institucional da Prefeitura de Macapá.
A atual gestão busca esclarecer se a liberação dos recursos seguiu o fluxo regular de pagamentos da administração municipal ou se houve movimentação fora dos padrões adotados pela prefeitura.
Dados preliminares apresentados à Polícia Federal indicam que os recursos poderiam ter sido utilizados para financiar ataques contra opositores políticos e também contra integrantes do Poder Judiciário, com o objetivo de descredibilizar decisões relacionadas a investigações sobre possíveis atos de improbidade administrativa.
Novas frentes de investigação
Segundo Pedro DaLua, novas irregularidades podem surgir ao longo da análise detalhada dos contratos e da movimentação financeira da prefeitura.
Além das investigações já em andamento sobre possíveis desvios de emendas federais, outras frentes de apuração poderão ser abertas caso surjam novos indícios durante o processo de revisão administrativa.
Prefeitura diz que busca transparência
A Prefeitura de Macapá informou que o encontro com a Polícia Federal integra um conjunto de medidas adotadas pela atual gestão para aprofundar as apurações sobre atos administrativos da gestão anterior.
Segundo a administração municipal, o objetivo é garantir transparência na condução da gestão pública, colaborar com os órgãos de investigação e assegurar que eventuais irregularidades sejam devidamente apuradas.