A sede da Macapá Previdência (MacapáPrev) foi invadida na madrugada de sábado (14), em Macapá, e teve computadores, processos e imagens de câmeras de segurança roubados. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso, que ocorre em meio às apurações sobre um possível rombo de mais de R$ 221 milhões no caixa do instituto e semanas após o afastamento e a renúncia do ex-prefeito Furlan.
De acordo com o boletim de ocorrência, o roubo foi constatado na tarde de sábado, pouco antes do início do atendimento aos servidores municipais que buscavam serviços previdenciários na autarquia. A perícia foi realizada no local e as investigações seguem sob sigilo.

Informações preliminares indicam que a ação pode ter sido direcionada para a retirada de materiais sensíveis da gestão anterior. Entre os itens levados estão os notebooks do ex-diretor financeiro Fabiano Gemaque Valente de Andrade e da ex-chefe de gabinete da presidência da MacapáPrev, Karyna Santos Ramos. Ambos deixaram os cargos após a saída de Furlan da Prefeitura de Macapá.
Outro detalhe que chamou a atenção dos investigadores é que não houve sinais de arrombamento externo, além do fato de que os sistemas de comunicação do prédio foram interrompidos durante a invasão. Também foram levadas imagens das câmeras de segurança, o que reforça a suspeita de tentativa de eliminar registros da ação.

Fontes da Secretaria de Segurança Pública do Amapá ouvidas pela reportagem afirmam que uma das principais linhas de investigação é a possibilidade de “queima de arquivo”, com destruição ou ocultação de provas relacionadas a possíveis irregularidades na gestão da previdência municipal. O foco da ação nos equipamentos do setor financeiro reforçou as suspeitas dos investigadores.
O episódio ocorre em meio a uma grave crise administrativa e política no município. Semanas antes da invasão, houve troca no comando da prefeitura após o afastamento judicial e posterior renúncia do prefeito Dr. Furlan (PSD). O vice-prefeito Mário Neto (Podemos) também foi afastado. Com isso, a administração municipal passou a ser conduzida pelo presidente da Câmara Municipal, Pedro Dalua (União Brasil), integrante da oposição.

A mudança na gestão também provocou alterações no comando da MacapáPrev. Janayna Gomes da Silva Ramos, que presidia o órgão durante a gestão Furlan, pediu exoneração do cargo em março, um dia após a renúncia do então prefeito.
As investigações sobre a situação financeira da autarquia também ganharam novos capítulos recentemente. O Ministério da Previdência Social questionou o Tribunal de Contas do Estado do Amapá sobre um possível rombo de R$ 221 milhões nas contas do instituto.
Dados apontam que, em cerca de dois anos, o caixa da MacapáPrev teria sido reduzido drasticamente, passando de R$ 176,8 milhões para R$ 39 milhões. Atualmente, o montante disponível seria de pouco mais de R$ 31 milhões, segundo informações levantadas nas apurações.
Diante da gravidade das suspeitas, a Câmara Municipal de Macapá aprovou na última quinta-feira (12) a abertura de uma comissão processante para investigar a gestão da MacapáPrev e possíveis responsabilidades do vice-prefeito Mário Neto.
Operação Paroxismo
O cenário político da capital amapaense já vinha sendo abalado pela segunda fase da Operação Paroxismo, conduzida pela Polícia Federal e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação apura suspeitas de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro em contratos relacionados à construção do Hospital Geral Municipal de Macapá.
No âmbito da operação, o STF determinou o afastamento do prefeito e do vice-prefeito, além de autorizar o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de Macapá (AP), Belém (PA) e Natal (RN). Outros servidores públicos também foram afastados das funções por 60 dias.
Com o novo episódio envolvendo a invasão da MacapáPrev, autoridades avaliam se o roubo pode ter ligação com as investigações em curso e com as suspeitas de irregularidades na gestão previdenciária do município.
Com informações: Portal Metrópoles