Mesmo diante de investigações da Polícia Federal sobre supostos desvios de recursos na construção do hospital municipal de Macapá, a Comissão Processante da Câmara votou pelo arquivamento da denúncia contra o vice-prefeito Mário Neto. A decisão, no entanto, deve ser revertida pelo plenário, que já articula maioria para manter o caso em andamento.
O cenário político em Macapá ganhou novos contornos após a Comissão Processante da Câmara Municipal decidir, por maioria, arquivar a denúncia de corrupção envolvendo o vice-prefeito Mário Neto. A medida ocorre mesmo com o avanço das investigações da Polícia Federal na chamada Operação Paroxismo, que apura possíveis irregularidades na aplicação de recursos destinados à construção do hospital municipal.
A votação na comissão terminou em 2 a 1. Os vereadores Alexandre Azevedo e Ezequias Silva se posicionaram a favor do arquivamento da denúncia, enquanto o vereador Zé Luís votou pela continuidade do processo, defendendo a apuração mais aprofundada dos fatos.
As investigações federais indicam a existência de um suposto esquema de desvio de verbas públicas, com indícios de pagamentos de propina e transferências financeiras rastreadas. Parte desses valores, segundo os investigadores, teria sido direcionada a contas vinculadas a uma empresa de estética associada à ex-primeira-dama e pré-candidata ao Senado, Rayssa Furlan.
Apesar do parecer favorável ao arquivamento dentro da comissão, o clima nos bastidores do Legislativo municipal aponta para uma reviravolta. Parlamentares já teriam articulado maioria suficiente para derrubar o relatório no plenário, o que resultaria na reabertura do processo por mais 45 dias.
Caso essa tendência se confirme, o caso volta à estaca de análise, com novas diligências e, ao final, uma votação definitiva que poderá decidir pela manutenção ou cassação do mandato do vice-prefeito, atualmente afastado.
O episódio expõe um claro embate político dentro da Câmara de Macapá. De um lado, a comissão responsável pela análise inicial opta pelo arquivamento; do outro, o conjunto dos vereadores sinaliza disposição para aprofundar as investigações em um dos casos mais sensíveis da política recente da capital.
Se o plenário rejeitar o parecer, o movimento interpretado por críticos como tentativa de “blindagem política” perde força, e o caso ganha novo fôlego, ampliando a pressão por respostas no âmbito do Legislativo municipal.