Investigado por suspeitas de fraude em licitação e desvio de recursos públicos, o ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan, enfrenta um cenário jurídico delicado em maio de 2026. Apesar da gravidade das acusações, ele responde ao processo em liberdade, mas pode ser preso caso descumpra medidas judiciais ou surjam novos elementos nas investigações.
O nome do ex-prefeito Furlan está no centro da chamada Operação Paroxismo, conduzida pela Polícia Federal, que investiga um suposto esquema envolvendo fraudes em licitação, desvio e lavagem de dinheiro público. As apurações têm como foco contratos relacionados às obras do Hospital Geral Municipal de Macapá, avaliadas em cerca de R$ 70 milhões.
Segundo os investigadores, há indícios de direcionamento no processo licitatório, além da utilização de empresas ligadas a familiares para ocultar recursos desviados. Também são citados saques em dinheiro vivo realizados por pessoas próximas ao ex-prefeito, o que levanta suspeitas de lavagem de dinheiro.
Em março de 2026, uma decisão do Supremo Tribunal Federal, assinada pelo ministro Flávio Dino, determinou o afastamento de Furlan do cargo. A medida teve como base o risco de interferência nas investigações. Posteriormente, já em maio, o magistrado manteve restrições impostas a outros investigados no caso, reforçando a preocupação com a integridade do processo.
Logo após o afastamento, Furlan formalizou sua renúncia à Prefeitura de Macapá. Oficialmente, a decisão foi justificada pela intenção de disputar o governo do Amapá nas eleições de 2026, embora o movimento também tenha ocorrido em meio à crescente pressão jurídica.
Do ponto de vista legal, a eventual prisão do ex-prefeito pode ocorrer em duas situações. A primeira é a decretação de prisão preventiva, caso a Justiça entenda que há risco de obstrução das investigações, como destruição de provas ou influência sobre testemunhas. O próprio ministro Flávio Dino já alertou que o descumprimento de medidas cautelares — como a proibição de acesso a prédios públicos — pode resultar em prisão.
A segunda possibilidade seria uma prisão após condenação definitiva, o que ainda depende do andamento do processo judicial e pode levar tempo.
Até o momento, Antônio Furlan segue em liberdade calado evitando tocar no assunto relacionado com as operações da PF que investigam o suposto desvio de dinheiro da construção do hospital municipal de Macapá, enquanto responde às acusações e mantém sua pré-candidatura ao governo do estado. O desfecho do caso dependerá do avanço das investigações e de eventuais novas decisões da Justiça.