Hospital de Emergência registrou mais de 5 mil atendimentos em junho; alta procura por casos de baixa complexidade contribui para sobrecarga e aumento do tempo de espera
Dados do Hospital de Emergência (HE) de Macapá apontam que a maior parte dos pacientes atendidos na unidade entre os dias 1º e 18 de junho apresentava quadros de saúde que poderiam ser avaliados e tratados em outros serviços da rede pública. Dos 5.059 atendimentos realizados no período, 85,9% foram classificados como urgência moderada, pouco urgente ou não urgente, cenário que impacta diretamente o fluxo assistencial e o tempo de espera para os casos mais graves.
Segundo o levantamento, 2.283 pacientes, o equivalente a 45,1% do total, foram classificados como casos de urgência moderada. Outros 2.011 atendimentos (39,8%) foram considerados pouco urgentes, enquanto 49 pacientes (1%) receberam classificação de não urgentes. Somados, esses casos representam 4.343 atendimentos registrados na porta de entrada da unidade.

Por outro lado, o hospital recebeu 675 pacientes classificados como muito urgentes, correspondendo a 13,3% da demanda, além de 26 emergências (0,5%) e 15 casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), situações que exigem atendimento imediato e acompanhamento especializado.
De acordo com a coordenadora de Enfermagem do Hospital de Emergência, Ana Karolina, a procura por atendimentos que não correspondem ao perfil da unidade continua sendo um dos principais desafios enfrentados pela equipe.
“Ainda seguimos com uma grande demanda de pacientes classificados como pouco urgentes e não urgentes. São situações que poderiam ser atendidas em uma Unidade Básica de Saúde ou em uma UPA, permitindo que o Hospital de Emergência concentre esforços nos casos realmente graves”, explicou.
Período sazonal aumenta pressão sobre a rede
Além da alta procura por casos de menor gravidade, o período de maior circulação de doenças respiratórias também tem elevado a demanda por internações e atendimentos especializados. Pacientes com doenças crônicas associadas a complicações de síndromes gripais frequentemente necessitam de acompanhamento hospitalar mais complexo.
Segundo Ana Karolina, quando há um grande volume de atendimentos de baixa complexidade, o fluxo do hospital acaba sendo prejudicado, já que os casos de emergência clínica e trauma recebem prioridade absoluta.
“Esses pacientes demandam uma assistência mais complexa. Quando há um grande volume de casos menos graves procurando o hospital, o atendimento acaba ficando mais lento, porque as emergências clínicas e de trauma têm prioridade absoluta”, destacou.
Hospital é referência para casos graves
O Hospital de Emergência de Macapá é referência estadual para atendimentos de alta complexidade, traumas graves e situações com risco iminente de morte. Apesar disso, muitos pacientes que procuram a unidade poderiam ter seus problemas de saúde resolvidos em serviços mais próximos de suas residências, como as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
Por força da legislação, o HE não pode recusar atendimento. Todos os pacientes que chegam à unidade passam pelo acolhimento e pela classificação de risco, procedimento que determina a gravidade do quadro clínico e define a ordem de atendimento. Dessa forma, pacientes classificados como pouco urgentes ou não urgentes podem aguardar mais tempo, enquanto os casos graves recebem assistência prioritária.
Entenda quando procurar cada serviço de saúde
Unidade Básica de Saúde (UBS)
É a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e deve ser procurada para consultas médicas, acompanhamento de hipertensão e diabetes, vacinação, renovação de receitas, curativos simples e sintomas gripais leves.
Unidade de Pronto Atendimento (UPA)
Indicada para situações que necessitam de atendimento rápido, mas sem risco iminente de morte, como febre alta persistente, crises de asma, dores moderadas, pequenos ferimentos, suspeitas de fraturas sem exposição óssea e agravamento de sintomas gripais.
Hospital de Emergência (HE)
Destinado aos casos graves, como acidentes de trânsito, ferimentos por arma de fogo ou arma branca, AVC, infarto, traumatismos graves, convulsões e insuficiência respiratória aguda.
Especialistas reforçam que a utilização adequada de cada ponto da rede de saúde contribui para reduzir a superlotação, agilizar o atendimento e garantir que pacientes em situações críticas recebam assistência no menor tempo possível.