Ação da Draco, com apoio do Gaeco, investiga esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma facção criminosa; polícia afirma que apuração não tem como objeto crimes eleitorais
Uma operação da Polícia Civil do Amapá contra o crime organizado resultou na apreensão de cerca de R$ 2 milhões em dinheiro vivo e no bloqueio judicial de valores mantidos em contas bancárias. A ação foi conduzida pela Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Amapá. Segundo o delegado Estéfano Santos, titular da Draco, trata-se da maior apreensão de dinheiro em espécie já realizada pela Polícia Civil no estado.
A investigação é um desdobramento de uma operação iniciada em maio de 2025 e tem como alvo uma estrutura suspeita de lavagem de dinheiro vinculada a uma facção criminosa de origem no Rio de Janeiro e com atuação no Amapá. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, o grupo investigado teria ligação com recursos provenientes do tráfico de drogas.
De acordo com Estéfano Santos, o volume de dinheiro encontrado representa um marco nas investigações conduzidas pela Polícia Civil amapaense.
“Essa aqui é a maior apreensão em dinheiro vivo na história do Amapá. Até então a gente não tinha um numerário dessa importância. Isso mostra a audácia do crime organizado, que vem se aperfeiçoando cada dia mais”, afirmou o delegado.
Empresa investigada teria feito saques sucessivos
Durante aproximadamente quatro semanas, investigadores acompanharam a movimentação de uma empresa apontada como parte do esquema. A polícia identificou o recebimento de grandes quantias e a realização de saques sucessivos, o que levou ao aprofundamento das investigações e ao cumprimento de medidas autorizadas pela Justiça.
Parte do dinheiro teria vindo de Santarém, no Pará. Segundo a investigação, os valores eram transportados em embarcações e escondidos em embalagens que simulavam o transporte de produtos e acessórios para motocicletas.
O delegado explicou que o método buscava dificultar a identificação do conteúdo das caixas. Segundo ele, sobre o dinheiro eram colocadas capas de chuva utilizadas por motociclistas, fazendo com que uma eventual inspeção superficial pudesse indicar que se tratava apenas de mercadorias relacionadas a motos.
Durante o cumprimento dos mandados, duas pessoas foram presas em flagrante por suspeitas relacionadas a porte ou posse de arma de fogo e lavagem de capitais. Veículos também foram apreendidos durante a operação.
Draco e Gaeco afastam relação com investigação eleitoral
Após a apreensão ganhar repercussão e surgirem manifestações públicas associando o dinheiro a possíveis crimes eleitorais, Draco e Gaeco divulgaram esclarecimento afirmando que essa hipótese não integra o objeto da investigação.
Segundo a nota dos órgãos, “o procedimento apuratório conduzido pela DRACO, com apoio do GAECO, não tem por objeto a investigação de crime eleitoral”. O comunicado acrescenta que referências públicas a “boca de urna”, “compra de votos” ou outros delitos eleitorais não correspondem ao objeto da apuração.
A investigação está concentrada, portanto, na apuração de possível atuação de organização criminosa e lavagem de capitais. As autoridades seguem trabalhando para identificar a origem e o destino dos recursos, reconstruir as movimentações financeiras e verificar a eventual participação de outros envolvidos no esquema.
A ofensiva integra a estratégia da Polícia Civil de atingir o patrimônio e o fluxo financeiro de organizações criminosas. Em abril deste ano, outra operação da Draco resultou em mais de R$ 5,3 milhões em ativos bloqueados e apreendidos no Amapá, dentro de ações voltadas à repressão à lavagem de dinheiro e à descapitalização de grupos criminosos.




