As investigações da Operação Paroxismo, conduzida pela Polícia Federal com supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), passaram a examinar uma ligação empresarial entre a ex-secretária municipal de Saúde de Macapá, Erica Aymoré, e a médica pediatra Isabella Cristina Favacho Vitor Barros de Oliveira, ex-esposa do ex-prefeito Antônio Furlan. A relação societária e uma transferência bancária de R$ 100 mil são apontadas no inquérito que apura possíveis irregularidades em um contrato de R$ 69,3 milhões firmado pela prefeitura.

De acordo com documentos reunidos pela Polícia Federal, Erica Aymoré — afastada do cargo por decisão judicial — mantém sociedade com Isabella Favacho na Clínica de Imunização do Amapá (CLIAP), localizada na região central de Macapá.
O vínculo empresarial passou a chamar a atenção dos investigadores após a identificação de uma transferência de R$ 100 mil para a conta da médica. O valor teria sido enviado por Rodrigo Moreira, sócio da empresa Santa Rita Engenharia.

A construtora é responsável por um contrato de R$ 69,3 milhões firmado com a Prefeitura de Macapá para a construção do Hospital Geral Municipal. A licitação que resultou na contratação da empresa foi homologada pela própria Erica Aymoré quando ela comandava a Secretaria Municipal de Saúde.
Perícia aponta indícios de direcionamento
No decorrer das apurações, a Polícia Federal realizou análise técnica do processo licitatório. No Laudo nº 635/2025, peritos apontam que a concorrência apresentou características incompatíveis com um processo competitivo.
Segundo o documento, a proposta vencedora apresentou 117 itens de composição de custos idênticos ao orçamento interno da prefeitura — documento que deveria permanecer sob sigilo durante a licitação.

Para os investigadores, o padrão encontrado pode indicar possível direcionamento da concorrência, o que pode configurar fraude em contratação pública.
Saques milionários em dinheiro vivo
Além da análise do processo licitatório, a investigação também rastreou movimentações financeiras relacionadas ao contrato.
De acordo com o inquérito, após pagamentos realizados pela prefeitura à empreiteira, foram registradas retiradas sucessivas em espécie que somam cerca de R$ 7,4 milhões.
Em uma das situações monitoradas pela Polícia Federal, um dos sócios da empresa sacou R$ 400 mil em dinheiro e transportou o valor até um prédio localizado na área central de Macapá.
Segundo os registros da investigação, o montante foi entregue a um homem que deixou o local em um Fiat Cronos branco registrado no nome do então prefeito Antônio Furlan. O veículo era conduzido por Jerqueson Rodrigues, apontado como motorista pessoal do prefeito à época.
Médica nega envolvimento
Após a divulgação das informações relacionadas à investigação, a médica Isabella Favacho publicou uma nota de esclarecimento em seu perfil no Instagram.
A manifestação foi divulgada em uma conta com acesso restrito, visível apenas para 3.647 seguidores.
No texto, a médica afirma que não possui qualquer ligação com os fatos investigados e ressalta que nunca exerceu cargo ou função administrativa na Prefeitura de Macapá.

Ela também declarou que seu casamento com Antônio Furlan foi encerrado há 17 anos e informou que, até o momento, não foi formalmente intimada por autoridades sobre o caso. As investigações da Operação Paroxismo seguem em andamento e apuram possíveis irregularidades em contratos da área da saúde firmados durante a gestão municipal.