A crise política em Macapá se aprofunda. Enfraquecido após ser afastado do cargo por decisão do STF e alvo de investigações da Polícia Federal por suspeitas de desvio de recursos na construção do Hospital Municipal, o ex-prefeito Antônio Furlan vê sua base política se desmanchar na Câmara. Nesta quinta-feira (12), por 14 votos a 6, os vereadores aceitaram a denúncia contra o vice-prefeito Mário Rocha de Matos Neto, abrindo um processo político-administrativo que pode resultar na cassação do mandato.

A votação marcou mais um capítulo da crise institucional que atingiu o grupo político ligado ao ex-prefeito. Com o avanço das investigações da Operação Paroxismo, conduzida pela Polícia Federal e supervisionada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), aliados começaram a se distanciar do núcleo político que governava a capital.
Durante a sessão, a Câmara Municipal também definiu a Comissão Processante, responsável por conduzir a investigação dentro do Legislativo. O colegiado será formado por:
• Ezequias Silva – presidente
• Alexandre Azevedo – relator
• Zé Luiz – membro
A comissão terá a missão de analisar documentos, ouvir testemunhas e garantir o direito de defesa do vice-prefeito. Ao final do processo, um relatório será apresentado ao plenário, que decidirá pela absolvição ou cassação do mandato.
Como votaram os vereadores
Votaram a favor da abertura do processo:
Margleide Alfaia, Reginaldo Faraó, Alessandro, Patrick Monte, Ruzivan, Cláudio Góes, Japão, Luany Favacho, Zé Luiz, Banha Lobato, Daniel Theodoro, Joselyo “É Mais Saúde” e Pastora Léia Pelaes.
Votaram contra:
Alexandre Azevedo, Carlos Murilo, Elenice, Ezequias Silva, Bruno Igreja e João Mendonça.
Ausências evidenciam racha político
Outro ponto que chamou atenção foi a ausência de três vereadores ligados ao grupo político de Furlan:
• Marcelo Dias
• Luanna Serrão
• Maraína Martins
Nos bastidores da Câmara, parlamentares avaliam que o episódio evidencia um rompimento gradual da base que sustentava a antiga gestão municipal.
Denúncia envolve hospital municipal e MacapáPrev
A representação que originou o processo aponta possíveis irregularidades administrativas relacionadas à gestão municipal, incluindo questionamentos sobre:
• a licitação do Hospital Geral Municipal de Macapá
• decisões administrativas da gestão anterior
• a situação financeira da MacapáPrev, instituto de previdência dos servidores municipais
O pedido de investigação foi fundamentado no Decreto-Lei nº 201/1967, que regula processos de cassação de prefeitos e autoridades municipais por infrações político-administrativas.
Com a abertura do processo, o futuro político do vice-prefeito passa agora a depender do andamento das investigações dentro da Câmara Municipal.