A Justiça do Amapá condenou, nesta quarta-feira (29), Cláudio Pacheco, conhecido como “Coringa”, a 33 anos, 9 meses e 10 dias de prisão em regime fechado pelos crimes de estupro, latrocínio e fraude processual contra a jovem Ana Paula Viana Rodrigues, de 19 anos. A sentença também fixa indenização mínima de R$ 20 mil aos pais da vítima. A defesa ainda pode recorrer.
O julgamento ocorreu na 1ª Vara Criminal e Tribunal do Júri da Comarca de Santana e foi conduzido pelo juiz Julle Anderson de Souza Mota. Ao final da sessão, o magistrado reconheceu a autoria e materialidade dos crimes, destacando a gravidade da violência praticada contra a jovem dentro do próprio ambiente de trabalho.

O crime aconteceu no dia 9 de março, em uma loja no centro de Santana, onde Ana Paula trabalhava. Segundo as investigações, após cometer os crimes, o condenado fugiu levando o celular da vítima, que posteriormente foi trocado por drogas.
Durante a audiência, oito testemunhas de acusação foram ouvidas pelo Ministério Público do Amapá (MP-AP). A defesa, representada pela Defensoria Pública do Estado (DPE-AP), não apresentou testemunhas. O processo seguiu o rito de Ação Penal Ordinária, modelo em que o juiz conduz todo o julgamento com base nas provas reunidas, sem participação de júri popular.
ENTENDA O CASO
Embora o crime tenha resultado na morte da vítima, o caso foi enquadrado como latrocínio — roubo seguido de morte — e não como homicídio doloso. Por isso, não foi levado ao Tribunal do Júri. Nesses casos, a legislação brasileira determina que o julgamento seja feito diretamente por um juiz.
COMOÇÃO E PEDIDO POR JUSTIÇA
A condenação ocorre em meio à comoção que tomou conta de Santana desde o crime. Familiares e amigos de Ana Paula realizaram uma manifestação em frente ao fórum no dia do julgamento, pedindo justiça e lembrando a trajetória da jovem.
Estudante de Biologia na Universidade Federal do Amapá (Unifap), Ana Paula também trabalhava em uma loja de roupas. A morte precoce interrompeu sonhos e mobilizou colegas, professores e moradores do estado.
HISTÓRICO DO CONDENADO
Cláudio Pacheco já havia sido condenado por homicídio em 2018 e estava foragido do sistema prisional desde outubro de 2025. A nova condenação reforça o histórico criminal do réu, que agora retorna ao regime fechado.
Apesar da sentença, o caso ainda pode ter novos desdobramentos, já que a defesa tem o direito de recorrer da decisão.