Acordo entra em vigor nesta sexta-feira (31) e permite que brasileiros ingressem por via terrestre na Guiana Francesa sem visto; para o senador Randolfe Rodrigues, medida pode ampliar turismo, comércio e desenvolvimento na fronteira.
Uma reivindicação histórica dos moradores da fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa avança para uma nova etapa nesta sexta-feira (31), com a entrada em vigor do acordo que elimina a exigência de visto para brasileiros que ingressam no território francês por via terrestre.
A mudança será celebrada durante ato simbólico na Ponte Binacional sobre o Rio Oiapoque, estrutura que conecta Oiapoque, no extremo Norte do Amapá, a Saint-Georges, na Guiana Francesa.
A solenidade deverá reunir autoridades brasileiras e francesas, entre elas o ministro-conselheiro da Embaixada da França no Brasil, Brice Fodda; o presidente do Senado, Davi Alcolumbre; o governador do Amapá, Clécio Luís; e o senador Randolfe Rodrigues.
Negociações entre Brasil e França
A retirada da exigência do visto é resultado de um processo de articulação política e diplomática envolvendo autoridades dos dois países.
Em junho de 2025, durante agenda oficial em Paris, Randolfe acompanhou o anúncio do presidente francês Emmanuel Macron sobre a decisão política de extinguir a necessidade do documento para brasileiros que entram na Guiana Francesa pela fronteira terrestre.

Após o anúncio, Brasil e França avançaram nas negociações técnicas necessárias para colocar a medida em prática. O assunto também esteve presente em discussões envolvendo os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Emmanuel Macron e representantes das chancelarias dos dois países.
Segundo o senador, durante o processo foram mantidos diálogos com o Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Justiça, Embaixada da França e representantes franceses para contribuir com os entendimentos necessários à implementação do acordo.
Segurança na fronteira entrou nas negociações
Um dos pontos tratados durante as discussões foi o fortalecimento da segurança na região fronteiriça.
Brasil e França avançaram em instrumentos de cooperação voltados ao enfrentamento de crimes transnacionais, entre eles narcotráfico, garimpo ilegal, imigração irregular e atuação de organizações criminosas na região.

Nesse contexto, Randolfe também defendeu investimentos e ações integradas para ampliar a estrutura de segurança pública em Oiapoque, considerado ponto estratégico para a cooperação entre os dois países.
Para o senador, a retirada da exigência representa não apenas maior facilidade para a circulação de brasileiros, mas uma oportunidade de desenvolvimento econômico e social para o Amapá.
“Esta é uma conquista construída com muito diálogo e cooperação entre Brasil e França. O fim da exigência do visto atende a uma reivindicação histórica da população do Amapá, fortalece nossa integração com a Guiana Francesa e abre novas oportunidades para o turismo, o comércio, a cultura e o desenvolvimento da nossa região de fronteira. É um momento histórico para o nosso estado”, afirmou Randolfe.
Turismo e comércio devem ganhar impulso
O Amapá é o único estado brasileiro que possui fronteira terrestre com a Guiana Francesa. Por isso, a mudança tem impacto especialmente para moradores de Oiapoque e Saint-Georges, cidades separadas pelo Rio Oiapoque e conectadas pela Ponte Binacional.
A retirada do visto também modifica uma situação que há anos era questionada na região. Enquanto cidadãos franceses podiam entrar no Brasil sem visto, brasileiros que pretendiam acessar a Guiana Francesa estavam submetidos à exigência do documento.
Com a nova regra, a expectativa é facilitar o fluxo de pessoas pela fronteira e criar condições para ampliar atividades econômicas e sociais entre os dois territórios.
Autoridades brasileiras esperam que a medida estimule o turismo, fortaleça o comércio em Oiapoque, favoreça intercâmbios culturais e aprofunde a cooperação entre Brasil e França na Amazônia.
Para Randolfe, os efeitos da decisão podem ir além da mobilidade na fronteira.
“O fim da exigência do visto significa mais integração, mais oportunidades e mais desenvolvimento para o Amapá”, destacou o senador.




