Servidores da Prefeitura de Macapá relatam situação de superendividamento após contratos de crédito consignado ligados ao produto CredCesta, associado ao Banco Master, durante a gestão do ex-prefeito Antônio Furlan. Segundo documentos obtidos pelo site Diário da Gente, alguns contratos teriam prazos considerados exorbitantes, chegando a até 999 parcelas, o equivalente a aproximadamente 84 anos de pagamento.

De acordo com a reportagem, as operações financeiras teriam sido realizadas por meio da empresa PKL One Participações S.A., responsável pela administração do produto CredCesta, após convênio firmado com a Prefeitura de Macapá. Os descontos eram feitos diretamente na folha salarial dos servidores municipais.
Os documentos apontam contratos classificados como “Benefício Compra” e “Benefício Saque”. Em um dos casos analisados, uma servidora afirma ter assumido uma dívida com prazo estimado em 83 anos e 3 meses. O valor total projetado para pagamento ultrapassaria R$ 885 mil.

A PKL One é apontada como vinculada ao fundo Diamond, antigo Reag 34, estrutura associada ao empresário Augusto Lima, preso durante a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. O CredCesta também já havia sido identificado em apurações relacionadas às operações Carbono Oculto e Compliance Zero, que investigam possíveis irregularidades financeiras, lavagem de dinheiro e estruturas empresariais usadas em operações de crédito.

Outro nome citado é o de Marcos Oliveira Calmon Bittencourt, apontado como intermediário do Banco Master junto a prefeituras e representante da PKL One no convênio firmado com a gestão Furlan. Ele também teria atuado como intermediário do Will Bank, instituição liquidada pelo Banco Central.
Até o momento, nenhum dos citados se manifestou sobre o caso.