A demissão de cerca de 25 profissionais da rede pública de saúde de Santana, no Amapá, na gestão do prefeito Bala Rocha, passou a ser investigada após denúncia de servidores que apontam possíveis irregularidades administrativas e indícios de motivação política nas exonerações.
A Prefeitura de Santana entrou no centro de uma nova controvérsia após o desligamento de trabalhadores da área da saúde, mesmo com um procedimento extrajudicial já em andamento no Ministério Público do Estado do Amapá (MP-AP). A investigação busca apurar possíveis irregularidades na condução das demissões.
De acordo com representação apresentada por servidores na última segunda-feira (4), o MP-AP havia solicitado, no dia 24 de abril, esclarecimentos ao prefeito Bala Rocha e ao secretário municipal de Saúde. O pedido faz parte do procedimento nº 0001063-77.2026.9.04.0002. Até o momento, segundo os denunciantes, não houve resposta formal da gestão nem suspensão das medidas adotadas.
No dia 30 de abril, os profissionais receberam o pagamento das rescisões contratuais, consolidando o desligamento. Entre os afetados estão enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos e dentistas em sua maioria mulheres.
Os contratos haviam sido firmados em janeiro deste ano, com vigência prevista até dezembro de 2026. No entanto, foram encerrados antes do prazo, de forma unilateral e, segundo os relatos, sem abertura de processo administrativo individual ou apresentação de justificativa técnica formal.
Outro ponto levantado na denúncia é que os atendimentos nas unidades de saúde não sofreram redução após as demissões. Ainda conforme os servidores, os profissionais desligados teriam sido substituídos rapidamente, o que levanta questionamentos sobre a real necessidade das exonerações.
A representação também menciona possível perseguição política. De acordo com os denunciantes, parte dos trabalhadores não apoiaria uma pré-candidatura ligada à família do prefeito, o que teria influenciado diretamente nas decisões administrativas.
Diante do cenário, os servidores solicitam uma investigação rigorosa, com eventual responsabilização dos gestores públicos. Eles também pedem, caso sejam comprovadas irregularidades, a reintegração aos cargos ou o pagamento de indenização correspondente ao período restante dos contratos.
O caso segue sob análise das autoridades competentes e amplia o debate sobre a transparência na gestão pública municipal e o cumprimento de recomendações do Ministério Público.